“Defender o impeachment de Moraes não é defender um lado ou outro; é defender a Justiça”, diz Alexandre Curi
Candidato defendeu afastamento e impeachment de Alexandre de Moraes, propôs mandato de até 12 anos para ministros e mudanças nas indicações; Curi também falou sobre emendas, infraestrutura e defesa dos interesses do Paraná O candidato ao Senado Alexandre Curi (Republicanos) defendeu mudanças nas regras de funcionamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e afirmou que os […]
Candidato defendeu afastamento e impeachment de Alexandre de Moraes, propôs mandato de até 12 anos para ministros e mudanças nas indicações; Curi também falou sobre emendas, infraestrutura e defesa dos interesses do Paraná
O candidato ao Senado Alexandre Curi (Republicanos) defendeu mudanças nas regras de funcionamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e afirmou que os senadores eleitos em outubro terão papel decisivo na relação entre os poderes nos próximos anos. As declarações foram dadas nesta quarta-feira (16), durante sabatina da Jovem Pan News Paraná.
A crise no STF dominou a primeira parte da entrevista, realizada na manhã seguinte à sessão extraordinária da Corte que discutiu a situação do ministro Alexandre de Moraes no caso Banco Master. O julgamento foi suspenso após pedido de vista do ministro Flávio Dino.
Curi reiterou sua posição favorável ao afastamento e ao impeachment de Moraes. “Eu defendo o afastamento do ministro Alexandre de Moraes. Se lá estivesse no Senado neste momento, votaria a favor do impeachment, sem viés ideológico, mas baseado em provas”, afirmou.
O candidato também defendeu que o Congresso avance sobre mudanças estruturais no Supremo. “O Supremo precisa de regras claras. Ninguém está acima da lei, nenhum poder está acima da nossa Constituição”, disse.
Mandato para ministros e mudança nas indicações
Entre as propostas apresentadas por Curi estão o fim de decisões monocráticas em determinadas situações, fiscalização externa, quarentena para ministros, transparência sobre palestras remuneradas e restrições à atuação de parentes de integrantes do STF perante a Corte.
Questionado sobre a duração dos cargos, Curi também se declarou favorável à criação de mandatos de nove a 12 anos para ministros do Supremo. “Tem tempo de mandato na Itália, na Alemanha, na França, de nove a 12 anos. Essa é uma discussão que tem que ser feita, mas eu entendo que nove a 12 anos é um bom tempo de mandato do Supremo”, afirmou.
A principal mudança defendida pelo candidato, no entanto, seria no processo de escolha dos ministros. Curi propõe um modelo no qual sete das 11 vagas sejam destinadas a integrantes da magistratura, três tenham origem em listas da advocacia e uma no Ministério Público Federal. “O mais importante é você acabar com a indicação política. O debate tem que ser pelo currículo, pelo histórico e pela capacidade do indicado”, disse.
Para Curi, a experiência da Assembleia Legislativa com a aprovação de um novo Código de Ética mostra que conflitos institucionais devem ser enfrentados com regras previamente estabelecidas. “Nós debatemos, discutimos e aprovamos um Código de Ética que deu segurança jurídica ao Conselho de Ética da Assembleia Legislativa”, afirmou.
Curi volta a criticar polarização
Apesar das posições firmes em relação ao STF, Curi voltou a afirmar que sua candidatura pretende evitar que a disputa nacional domine toda a agenda política. “Eu me manifestei contrário a essa polarização porque hoje você vê Brasília, um lado tentando destruir o outro”, disse.
Segundo ele, princípios políticos não devem impedir o diálogo em torno de políticas públicas. “Sempre deixei claros meus princípios e valores a favor da família, da vida, da inocência das crianças, da liberdade econômica, do direito à propriedade privada. Mas nós aqui no Paraná damos o exemplo de pacificação dos poderes”, afirmou.
Curi relacionou esse posicionamento ao conceito “Menos Brasília, Mais Paraná”, adotado pela campanha, e disse que pretende concentrar a atuação no Senado também em segurança, educação, infraestrutura e desenvolvimento econômico.
Emendas: “vou usar, mas com total transparência”
Outro tema da sabatina foram as emendas parlamentares. Curi afirmou ser contrário à implantação das emendas impositivas na Assembleia Legislativa. Para o Senado, onde o instrumento já existe, disse que pretende utilizar os recursos, mas defendeu mudanças no modelo atual e maior transparência. “É claro que eu não estou aqui dizendo que vou chegar no Senado e vou conseguir mudar as emendas impositivas. Então, eu usarei as emendas, mas com total transparência”, afirmou.
A intenção, segundo ele, é direcionar os recursos para programas estruturados em conjunto com o Governo do Paraná, independentemente de quem estiver no comando do Executivo estadual. “Seja quem for o governador, eu vou sentar com o governador. Vamos aplicar esses recursos em pavimentação, no custeio dos hospitais, na construção de escolas, de praças”, disse.
Curi também criticou a concentração de decisões sobre emendas no Congresso e voltou a se posicionar contra mecanismos sem identificação clara da destinação dos recursos.
“Seja quem for o governador”
Questionado diretamente se manteria essa relação caso Sergio Moro fosse eleito governador, Curi respondeu que sim. “Eu respeito a vontade da maioria da população. Essa é uma política de respeito, é uma política de diálogo”, declarou.
“Em nenhum momento, por uma questão política ou partidária, eu vou prejudicar o meu Estado. Seja quem for o governador, terá o meu apoio lá no Senado da República”, acrescentou.
Curi afirmou que esse comportamento representa o modelo de relação política que pretende levar para Brasília: divergências eleitorais durante a campanha e articulação conjunta quando estiverem em jogo interesses do Paraná.
Infraestrutura e Fundo Sul
Na parte final da entrevista, Curi voltou a citar projetos que pretende acompanhar no Senado, entre eles o contorno ferroviário de Curitiba e a Nova Ferroeste.
O candidato defendeu que investimentos sejam incorporados à discussão sobre a renovação da concessão da Malha Sul e cobrou maior participação da representação paranaense nas decisões federais sobre infraestrutura.
Também voltou a defender a criação de um Fundo Sul, com recursos destinados a infraestrutura e apoio a municípios atingidos por desastres naturais, proposta que já havia apresentado em outras sabatinas. “O Paraná precisa resgatar esse protagonismo, essa força política e voltar a debater o Paraná”, afirmou.
Ao encerrar a entrevista, Curi retomou o argumento central de sua candidatura ao Senado. “Eu quero dizer aos paranaenses que o Paraná vai voltar a ter um senador presente, vai voltar a ter um senador que defende políticas públicas e vai voltar a ter um senador que coloque esse Estado em primeiro lugar”, concluiu.
